Ibovespa avança e demonstra grande resiliência em meio à volatilidade global
O Ibovespa encerrou a semana em alta de 3,0% em reais e 4,1% em dólares, aos 181.556 pontos, superando significativamente os mercados globais.
Globalmente, a semana foi marcada por notícias rápidas e voláteis envolvendo o conflito entre EUA e Irã. Após inicialmente ameaçar ataques à infraestrutura energética iraniana, o presidente Trump anunciou, na segunda-feira, uma pausa de 5 dias, citando o início de negociações com o Irã, o que gerou um forte alívio nos ativos globais, com o Brent chegando a cair abaixo de US$100/barril. Porém, o Irã negou a existência dessas negociações, e as atividades militares continuaram na região. Ao longo da semana, os EUA avançaram em esforços por um cessar-fogo, incluindo relatos de uma proposta com múltiplos pontos enviada ao Irã. O sentimento voltou a se deteriorar, porém, após o Irã rejeitar a proposta inicial, reacendendo preocupações com um conflito prolongado, apesar de notícias recentes sugerindo possíveis negociações iminentes entre os dois países. Como resultado, os ativos globais tiveram mais uma semana negativa: as ações americanas registraram a quinta queda semanal consecutiva (a pior sequência desde 2022) e os preços do petróleo permaneceram elevados (Brent em US$112),. O dólar se fortaleceu (DXY +0,5%) e o VIX subiu de 142 para 163.
Nesse contexto, as ações brasileiras apresentaram forte alta até quarta-feira, acumulando ganho de 5,2%, sustentado por expectativas de resolução do conflito no Irã, ao mesmo tempo em que o setor de óleo e gás continuou dando suporte ao índice. Essa combinação levou a um desempenho muito superior ao dos mercados globais, fazendo com que o Ibovespa fosse o único grande índice global a encerrar a semana em território claramente positivo. O Brasil também seguiu se beneficiando de fluxos estrangeiros, com entradas líquidas de R$ 2,7 bilhões até quarta-feira. No entanto, o índice devolveu parte desses ganhos ao longo do restante da semana, com queda de 2,1%, pressionado principalmente por papéis cíclicos domésticos. O real também permaneceu relativamente resiliente, apoiado pela forte exposição do Brasil ao petróleo em sua pauta de exportações. Ao mesmo tempo, o IPCA-15 acima das expectativas reforçou a perspectiva de inflação mais elevada à frente, e nosso time macro revisou a projeção de inflação para 2026 para 4,5% (de 3,8%). Em resposta ao impacto dos preços mais altos do petróleo sobre os consumidores, o governo federal propôs um novo subsídio para importadores de diesel, de R$1,20/litro. Do lado micro, a temporada de resultados do 4T25 está próxima do fim: 125 empresas dentro do nosso universo de cobertura da XP já divulgaram resultados, com apenas 37% superando as estimativas de receita, 27% de EBITDA e 40% de lucro líquido.
O principal destaque positivo da semana foi MBRF (MBRF3, +31,5%), em meio ao aumento das expectativas de uma possível desescalada do conflito no Oriente Médio.
Na ponta negativa, Braskem (BRKM5, -11,3%) recuou após a divulgação dos resultados do 4T25.
