Larry Fink e o recuo da BlackRock: quando a agenda de costumes se revela estratégia de lucro
Em entrevista recente à Fox News, Larry Fink, CEO da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo com mais de 10 trilhões de dólares sob administração, admitiu que a era woke, com sua forte ênfase em critérios ESG e DEI, foi longe demais. Questionado se via aquele período como um experimento fracassado, ele não contestou […]
Ricardo Tod
31 de março de 2026 às 13:04

Em entrevista recente à Fox News, Larry Fink, CEO da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo com mais de 10 trilhões de dólares sob administração, admitiu que a era woke, com sua forte ênfase em critérios ESG e DEI, foi longe demais. Questionado se via aquele período como um experimento fracassado, ele não contestou e afirmou que, pessoalmente, sempre se considerou mais pragmático. Segundo Fink, a BlackRock nunca teve como objetivo empurrar as empresas para posições ideológicas extremas. Sua função seria apenas atuar como fiduciária dos clientes, respeitando as preferências de cada um, desde quem quer investir em petróleo no Texas até quem busca energia renovável.
Essa declaração marca uma mudança de tom significativa. Durante anos, a BlackRock posicionou-se ativamente como promotora de uma agenda de costumes progressista. Através de cartas de stewardship e do poder de voto em assembleias de acionistas, a gestora pressionou companhias globais a adotarem metas de diversidade, inclusão, equidade de gênero, identidade e redução drástica de emissões. Apresentavam-se como defensores de um capitalismo mais consciente, preocupado com questões sociais e ambientais. Pareciam esquerdistas limpos, preocupados com justiça social, combate ao racismo sistêmico e salvação do planeta.
Na prática, porém, o que a BlackRock financiou e impulsionou foi uma agenda de costumes que servia como ferramenta de negócios. Eles não agiam por pura convicção ideológica. Criaram e promoveram fundos sustentáveis, verdes e de impacto social que cobravam taxas mais altas. Capturaram fluxos bilionários de investidores institucionais, fundos de pensão europeus, universidades e governos alinhados com visões progressistas que exigiam alinhamento ESG. A pressão por quotas de diversidade e metas ambientais também gerava oportunidades: empresas que se adequavam ganhavam melhor acesso a financiamento, subsídios governamentais e imagem positiva no mercado.
Era uma forma mascarada de avançar uma agenda cultural enquanto maximizavam o volume de ativos sob gestão. Quanto mais capital atraíam com essa narrativa, maiores eram as comissões e os lucros da própria BlackRock. Como qualquer grande capitalista, o objetivo final sempre foi o retorno financeiro. A ideologia serviu de embalagem atraente para captar recursos em um ambiente onde parte significativa do capital institucional valorizava o discurso woke.
Hoje, com o reação negativa de clientes, retirada de bilhões por estados americanos mais conservadores, desempenho questionável de algumas iniciativas verdes e um cenário político mais pragmático, a BlackRock ajusta o discurso. Fink fala em equilíbrio, em demanda real por energia impulsionada pela inteligência artificial e em servir o cliente acima de tudo. O experimento ideológico perde espaço quando começa a prejudicar os números.
Por que um fundo de investimentos como a BlackRock se preocupa com uma agenda de costumes?
A resposta está principalmente na economia. Gerir trilhões significa que cada ponto percentual de captação ou retenção de clientes representa bilhões em taxas. Durante anos, atender a demanda por investimentos “alinhados com valores ESG” permitiu à BlackRock atrair capital novo, lançar produtos premium e crescer sob gestão. A agenda de costumes foi financiada e promovida porque gerava oportunidades de negócio: subsídios para renováveis, regulação favorável, pressão sobre concorrentes tradicionais e cobrança de taxas mais elevadas em fundos temáticos. No fim, não era filantropia nem militância pura. Era capitalismo puro disfarçado de consciência social. Quando o vento mudou e o pragmatismo voltou a ser mais rentável, a BlackRock fez o ajuste racional que qualquer grande gestora faria para proteger seus lucros. O dinheiro, como sempre, falou mais alto que a retórica.